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Desenvolvendo lideranças escolares efetivas: Que tipo de aprendizagem importa?

Tradução do relatório do Learning Policy Institute, este documento traz dados e evidências sobre a relação das formações e experiências das lideranças escolares com resultados positivos na aprendizagem, com base na revisão da literatura de pesquisas, desde o ano 2000.

Também indica quais políticas públicas de educação impulsionam programas de alta qualidade e de que forma se dá o acesso dos estudantes a esses programas, no contexto norte-americano. Por fim, o documento apresenta opções metodológicas de pesquisa, destacando a utilização de métodos mistos para se chegar aos resultados.

A disponibilização deste relatório e seu suplemento técnico, para os falantes de língua portuguesa, tem como objetivo incidir sobre os estudos e as iniciativas de formação de lideranças escolares e ampliar a contribuição desses profissionais para elevar os níveis de qualidade e equidade na educação brasileira.

Acesse aqui a pesquisa na íntegra!

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Viagem ao norte: Centro Lemann visita os municípios de Maués (AM), Breves (PA) e Bagre (PA)

O Programa de Lideranças Educacionais do Centro Lemann possui abrangência nacional. Atuamos em 56 municípios das cinco regiões do país. Em 49 deles, oferecemos formação com duração de 2 anos letivos e carga horária de 360 horas. Nos outros sete, apoiamos os processos de seleção e recrutamento de gestores escolares.

Para que as nossas ações sejam relevantes e efetivas, torna-se fundamental interagirmos com a realidade local, experienciando o cotidiano das lideranças educacionais, tendo contato com os desafios que enfrentam e acompanhando o impacto do nosso programa em suas práticas e resultados.

Foi com esta intenção que Anna Penido, nossa diretora executiva, Rogers Mendes, gestor do Programa de Formação de Lideranças Educacionais, e Veveu Arruda, membro do nosso Conselho Consultivo, percorreram três municípios: Maués (AM), Breves e Bagre (PA). As localidades integram o grupo de 12 redes e 289 gestores da região Norte que participam da nossa iniciativa. 

No artigo a seguir, “Em Busca do Norte”, Anna Penido conta sobre como foi impactada pela visita. Quer saber mais? Leia o texto abaixo.

Em Busca do Norte

por Anna Penido

Insignificância e ignorância. Fui abalroada por esses dois sentimentos enquanto adentrava o interior da região amazônica. Sobrevoar aquela imensidão de rios e florestas fez com que eu me desse conta da minha pequenez diante de tamanha exuberância. Interagir com a população e a realidade local me permitiu perceber que não sabemos quase nada sobre aquela parte do país, não entendemos coisa alguma do que se passa por lá e contribuímos menos ainda para mitigar as muitas adversidades que a ameaçam.

Ao longo de cinco dias, visitei três municípios dos estados do Amazonas e Pará que participam do nosso Programa de Formação de Lideranças Educacionais. Compartilhei a aventura com os colegas Rogers Mendes e Veveu Arruda, respectivamente gestor e conselheiro do Centro Lemann. Nosso intuito era compreender como as nossas ações estavam chegando nas redes municipais de educação de Maués (AM), Breves (PA) e Bagre (PA) e o que fazer para torná-las mais atraentes e relevantes para secretárias(os), técnicas(os) que acompanham as escolas e diretoras(es) escolares daquelas localidades. Tenho esperança de que a nossa viagem provoque impactos positivos no desenvolvimento desses gestores, mas a única certeza que carrego comigo é a de que fui a pessoa mais impactada por essa experiência.

A bordo de aviões grandes e pequenos, lanchas, barcos e navios, pude constatar que, na região norte, as ruas e estradas são mesmo os rios, e as distâncias são medidas por tempo e não por quilometragem. As escolas públicas localizadas na sede dos municípios são maiores e mais bem equipadas, mas a maioria das unidades escolares está espalhada por dezenas de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, localizadas a até 14 horas de deslocamento fluvial. Muitas salas de aula são multisseriadas, e um ou dois professores dão conta de toda a organização escolar, da merenda às atividades pedagógicas, passando pela articulação com as famílias. As escolas indígenas são bilíngues e têm ainda o desafio de trabalhar com idioma, currículo e calendário adaptados à cultura e realidade do seu povo, com participação ativa do cacique em todas essas definições.

O maior entrave para a participação das lideranças educacionais no nosso programa é a instabilidade do acesso à internet. Em dias de chuva, nem os celulares funcionam. A interrupção constante do sinal desanima aqueles que não conseguem acompanhar as atividades on-line. Sugerimos que os prefeitos equipem espaços de formação com computadores potentes e a melhor internet disponível no município, para que os gestores possam não apenas ter acesso à tecnologia, mas ainda dispor de tempo e tranquilidade para usufruir ao máximo das atividades e conteúdos que elaboramos com tanto cuidado. Ainda assim, a solução definitiva só virá se o governo federal pressionar e oferecer contrapartidas às empresas de telecomunicações para que forneçam melhor conectividade nas áreas mais remotas do país.

Também nos preocupamos em checar se as referências e os materiais que utilizamos fazem sentido para as lideranças da região. Foi revoltante perceber o quanto as políticas nacionais desconsideram as especificidades amazônicas e criam regras, condições e protocolos impossíveis de serem implementados naquele contexto tão particular. Da nossa parte, queremos assegurar que o nosso programa faça com que os gestores educacionais desses municípios se sintam menos isolados e verdadeiramente incluídos na nossa formação.

Acreditamos que essas lideranças têm papel fundamental na garantia de uma educação pública de qualidade para cada estudante, mas sabemos que precisam muito de formação e apoio para dar conta dos seus desafios. Nas nossas visitas às escolas locais, não tive a oportunidade de ver um único estudante em atividade pedagógica. Alguns estavam em horário de intervalo, outros em feriado facultativo e ainda tinham aqueles que estavam com aulas suspensas porque não havia combustível no município para abastecer os barcos que fazem o transporte escolar. Isso tudo após dois anos de escolas fechadas por conta da pandemia, com pouco ou nenhum acesso dos alunos a materiais físicos ou atividades remotas.

Despida do meu verniz urbano, percebi que, ao longo da nossa viagem, meu organismo começou a pulsar cada vez mais no ritmo da floresta. Meus sentidos ficaram mais apurados e meus instintos foram se sobrepondo ao pragmatismo que me ajuda a sobreviver na selva de pedra. Enquanto sentia o vento agitar os meus cabelos e a água dos rios respingar na minha face, observava a minha indignação crescer frente às injustiças que impedem tantas pessoas no nosso país de ter seus direitos essenciais assegurados.

No último dia da nossa excursão, em uma roda de conversa com lideranças de Bagre, meu coração se animou ao ouvir relatos de que a formação do Centro Lemann tem gerado transformações pessoais profundas e um olhar mais sensível para a questão da equidade. Um dos técnicos nos contou sobre a sua decisão de finalmente matricular o filho autista em uma escola da rede, e a diretora que o recebeu afirmou seu compromisso de garantir que a sua unidade escolar seja cada vez mais inclusiva. Provocada pelo nosso programa, a rede encontrou alternativas para transportar os estudantes de áreas mais remotas no período em que os igarapés secam, e há novas estratégias pedagógicas sendo pensadas para esse momento de recomposição de aprendizagens. As mudanças de visão e de prática ainda são iniciais, mas renovam o nosso oxigênio e a nossa capacidade de acreditar que a Amazônia é mesmo o pulmão do mundo.

Confira na galeria abaixo imagens dessa jornada.






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Acontece durante o mês de junho o primeiro encontro presencial do Programa de Formação de Lideranças Educacionais do Centro Lemann

Depois de uma série de encontros virtuais, os participantes do Programa de Lideranças Educacionais do Centro Lemann têm a oportunidade de trocar experiências presencialmente, mergulhar de maneira ainda mais profunda em um processo de transformação, fortalecer vínculos e sonhar coletivamente. 

Os encontros acontecem até o final do mês de junho de 2022, em nove polos espalhados pelas cinco regiões do país, e reúnem cerca de 2.000 pessoas. Além de Caruaru (PE), onde iniciaram os encontros,  acontecem formações em Sobral (CE), Mata de São João (BA), Goiânia (GO), Belém (PA), Maués (AM), São Paulo (SP), Ponta Grossa (PR) e Joinville (SC). 

O primeiro encontro presencial marca o início do Módulo 2 da formação, focado em Liderança para Equidade. As(os) participantes serão convidados a refletirem sobre o seu projeto de vida e se conectar ao propósito de promover educação com equidade; ampliar seus conhecimentos e consciência sobre como aprimorar sua atuação enquanto líderes para promover maior nível de equidade em suas redes e escolas, e a expandir sua capacidade de desenvolver e utilizar suas competências para mobilizar pessoas, tomar decisões e resolver desafios complexos relacionados às desigualdades educacionais, de forma compartilhada. 

O encontro tem dois dias de duração. A programação inclui momentos de mergulho interior, com foco na trajetória e projeto de vida das(os) participantes, permitindo reflexões voltadas para a transformação pessoal, mas é marcada também por muitas trocas, reflexões coletivas e exercícios práticos de priorização, co-criação de soluções e prototipação a partir de problemas reais, enfrentados pelas redes e escolas.

Rogers Mendes destaca: “O programa de formação proporciona a constante autorreflexão e desenvolvimento por meio da análise de teorias, trocas de experiências e perspectivas entre os participantes. O momento presencial, nesse sentido, potencializa esse processo por meio de interações mais intensas e produtivas no calor do contato mais afetivo”.

Confira abaixo fotos dos encontros:

3º Encontro Embaixadoras(es) da Educação reúne lideranças políticas de 54 municípios em Porto Alegre para o avanço da educação pública brasileira

O evento reuniu prefeitas(os) e secretárias(os) de educação de todo o país para discutir soluções sustentáveis que ampliem a implementação de políticas educacionais respaldadas por evidências.

No Dia Nacional da Educação, celebrado em 28 de abril, Porto Alegre (RS) sediou o 3º Encontro Embaixadoras(es) da Educação, iniciativa que reuniu 70 lideranças políticas e educacionais de diferentes regiões do país em um espaço estratégico de troca de experiências, articulação e construção conjunta de soluções para qualificar a aprendizagem.

O evento resulta da articulação entre a Prefeitura de Porto Alegre (RS), o Consec, a FNP e o Centro Lemann, com parceria da Fundação Lemann e apoio do Instituto Ultra para fortalecer a atuação de lideranças políticas como embaixadores da educação, incentivando-as a assumir compromissos municipais e coletivos por uma educação de qualidade para todas(os) as(os) estudantes brasileiras(os).

A programação teve início com uma visita ao Centro de Avaliação Multidisciplinar Educacional (Came), referência da capital gaúcha no fortalecimento da Educação Especial. A experiência evidenciou o papel estruturante de políticas públicas articuladas e consistentes para garantir atendimento inclusivo às(aos) estudantes.

Na sequência, a Usina do Gasômetro recebeu 23 prefeitas(os) e 65 secretárias(os) de educação para um diálogo orientado por dados e evidências sobre financiamento educacional e uso estratégico de recursos públicos.

O debate aprofundou caminhos para a mobilização de fontes tradicionais e inovadoras de financiamento, destacando como decisões estruturadas podem fortalecer as redes de ensino, ampliar a sustentabilidade das políticas públicas e deixar legados positivos para as gestões e para a população.

A diretora-executiva do Centro Lemann, Anna Penido, reforçou que “utilizar dados e evidências para apoiar municípios a avançar em áreas estruturantes, como a otimização de recursos, pode fazer toda a diferença na educação pública brasileira. Por isso, iniciativas como este Encontro são estratégias potentes para impulsionar transformações sistêmicas e em escala”.

No segundo dia, a programação focou em secretárias(os) de educação e equipes técnicas das redes, buscando fortalecer competências essenciais às lideranças em processos de tomada de decisão no setor público e na gestão de equipes. As discussões foram guiadas por exemplos concretos e pela troca entre pares.

​“Sabemos que, no fim do dia, tudo passa pela nossa capacidade de liderar pessoas e organizar a gestão, por isso preparamos uma agenda muito prática, um espaço de troca qualificado para quem está vivendo os mesmos desafios sair com ideias aplicáveis, caminhos mais claros e mais força para liderar na ponta. Não é sobre teoria. É sobre prática, gestão e resultado”, defendeu Leonardo Pascoal, secretário de Educação de Porto Alegre e presidente do Consec.

O encontro reforçou a importância da colaboração entre municípios como estratégia para avançar na construção de uma educação pública com qualidade e equidade. Saiba mais.

2º Encontro de Prefeitas(os) e Secretárias(os) do Programa Lideranças pela Educação | RS acontece em Encantado

O evento promoveu troca de experiências, análise de dados e articulação entre lideranças para enfrentar desafios prioritários da educação pública.

Nos dias 31 de março e 1º de abril, o município de Encantado (RS) recebeu o 2º Encontro de Prefeitas(os) e Secretárias(os) de Educação do Programa Lideranças pela Educação | RS. A agenda reuniu autoridades do município de Camaquã, Canoas, Caxias do Sul, Eldorado do Sul, Encantado, Gravataí, Guaíba, Passo Fundo e São Jerônimo em torno de um objetivo comum: fortalecer a educação pública gaúcha por meio da colaboração entre lideranças políticas e educacionais.

A programação do primeiro dia foi dedicada a momentos de análise de dados educacionais, reflexão sobre desafios estruturantes – como desigualdades, recomposição das aprendizagens, clima escolar, expansão da Educação Infantil e gestão escolar – e construção conjunta de estratégias para enfrentá-los.

A resiliência climática teve destaque especial no encontro, considerando os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul e os desafios impostos às redes de ensino. O debate reforçou a importância de construir políticas educacionais capazes de responder às questões do clima sem perder de vista a aprendizagem e o desenvolvimento integral das(os) cerca de 152 mil estudantes de 487 escolas gaúchas dessas nove redes de ensino.

No segundo dia, a programação, direcionada aos secretários e secretárias, teve como foco o fortalecimento da gestão de pessoas, o desenvolvimento de equipes de alta performance e a qualificação das rotinas de gestão, contribuindo para ampliar a capacidade institucional das redes de ensino.

O evento dá continuidade a uma mobilização liderada por gestoras(es) públicos que reconhece o papel estratégico dos municípios na promoção de transformações estruturais na Educação Básica, com potencial de impacto duradouro nos territórios e na aprendizagem dos estudantes.

“Não há transformação consistente na educação sem o protagonismo das lideranças políticas. É nos municípios que as grandes mudanças começam, quando prefeitas, prefeitos e suas equipes assumem a educação como prioridade e atuam de forma colaborativa para garantir melhores oportunidades para cada estudante”, afirmou Anna Penido, diretora-executiva do Centro Lemann.

O Programa Lideranças pela Educação | RS é uma iniciativa do Centro Lemann, em parceria com RegeneraRS e B3 Social, apoio do Instituto Ultra, Atitus Educação, Movimento União/BR, Sicredi Pioneira e Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul. Saiba mais.

Compromisso pela Alfabetização na América Latina reúne 50 altas lideranças no Espírito Santo

De 4 a 7 de novembro, representantes de governos e do terceiro setor da Argentina, do Chile, da Colômbia, do México e Peru participaram de uma imersão em Vitória (ES), promovida por Instituto Natura, Fundação Pérez-Companc e Centro Lemann, como parte do Compromisso pela Alfabetização na América Latina, iniciativa de organizações da sociedade civil, atores governamentais e aliados estratégicos para trocar experiências que fortaleçam a alfabetização na região.

No primeiro dia, o secretário de educação do estado, Vítor de Ângelo, apresentou o Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo (PAES), programa criado em 2017 que se tornou referência nacional pela visão integrada de rede de educação, unindo esforços estaduais e municipais em torno do sucesso de cada estudante. Filosoficamente, não há separação entre rede estadual e redes municipais. Todos os estudantes são vistos como sujeitos de direito, pertencentes ao estado do Espírito Santo”, defende Ângelo.

Os resultados impressionam: 72% das crianças capixabas estão alfabetizadas na idade certa, segundo o Indicador Criança Alfabetizada (MEC, 2024). Visitas às escolas de Vitória mostraram às lideranças uma dimensão potente desses resultados e os desafios do trabalho em rede. Também puderam dialogar com a equipe técnica da secretaria e com as secretárias de educação de Vitória e Serra.

As(os) participantes ouviram Veveu Arruda, ex-prefeito de Sobral (CE) e diretor-executivo da Associação Bem Comum, sobre o papel do terceiro setor na garantia da alfabetização, etapa fundamental da aprendizagem para fortalecer o desenvolvimento humano e social. Veveu acredita que o compromisso político é o primeiro e mais decisivo fator para transformar a educação. Ele também ressaltou que “alfabetizar não é só ensinar a ler e escrever. É ensinar também a sentir.”

Alexsandro Santos, diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do Ministério da Educação (MEC), apresentou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), lei federal que vem consolidando uma base de cooperação entre estados e municípios.

A imersão integra uma estratégia mais ampla que visa à transformação das realidades na região por meio de ações coordenadas, produção de conhecimento, apoio técnico especializado e troca de experiências bem-sucedidas.

Rita Jobim, gestora de Formação e Desenvolvimento do Centro Lemann, destaca que a imersão traz para o centro do debate o principal, que é a vontade e priorização política. “A alfabetização é fundamental para toda a sociedade: um menino que lê na idade certa sonha mais alto; uma menina que aprende a escrever pode contar a própria história. Ler e escrever na idade certa muda tudo — e por isso hoje nos unimos pela alfabetização”.

Depois dessas vivências, as lideranças retornaram aos seus países munidas de boas ideias e caminhos que façam da alfabetização uma causa continental, capaz de promover o sucesso escolar de cada criança latino-americana. A julgar pela avaliação ao final do evento, elas saíram do Espírito Santo extremamente engajadas: registramos nota 100 de satisfação.

1º Encontro Embaixadores da Educação reúne prefeitas(os) e secretárias(os) de mais de 40 grandes municípios para impulsionar a aprendizagem com equidade no país

Realizado no Rio de Janeiro, evento marca o lançamento de uma mobilização nacional por uma educação pública de qualidade, baseada em evidências e compromisso político.

No dia 25 de julho de 2025, o Rio de Janeiro foi palco do 1º Encontro Embaixadores da Educação: prefeitas e prefeitos liderando a transformação educacional. O evento reuniu lideranças políticas e educacionais de mais de 40 grandes municípios brasileiros para fortalecer o compromisso coletivo com a garantia da aprendizagem de cada estudante.

A iniciativa é uma realização do Centro Lemann de Liderança para Equidade na Educação, da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), do Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais (Consec) e da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com parceria da Fundação Lemann e apoio do Instituto Ultra.

A programação incluiu a visita ao Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, escola pública de tempo integral e referência em inovação educacional na rede carioca; atividades práticas com análise de dados oficiais; e momentos de escuta entre pares sobre o papel das lideranças políticas na construção de legados educacionais.

A delegação de prefeitas, prefeitos, secretárias e secretários se engajou muito na discussão e definiram temas prioritários para serem tratados pelo grupo, entre eles Educação Especial, cuja meta no último Plano Nacional de Educação (2014-2024) visava à universalização do acesso à Educação Básica para crianças e adolescentes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, priorizando o atendimento na rede regular de ensino.

Outra frente que mereceu destaque das autoridades presentes foi a formação e seleção de diretores escolares seguindo critérios técnicos, que dados do Inep apontam apenas 24,4% dos cerca de 110 mil diretores brasileiros escolhidos assim em 2024. As lideranças elencaram formas de encaminhar os assuntos. Duas delas se destacaram: mobilização do grupo de embaixadores via FNP e Consec e conexão com outros órgãos, além de diálogo aberto com o MEC sobre prioridades, como o decreto para a Educação Especial, por exemplo.

“As capitais brasileiras têm um papel decisivo na construção de soluções educacionais que impactam milhões de estudantes. Este encontro nos convida a assumir compromissos concretos, com base em evidências, essenciais para garantir avanços consistentes na aprendizagem de cada aluno brasileiro”, destacou Renan Ferreirinha, presidente do Consec e secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Lideranças pela Educação

O Encontro também marcou o lançamento do Programa Lideranças pela Educação, iniciativa do Centro Lemann com a Fundação Lemann e apoio do Instituto Ultra. O programa visa fortalecer o compromisso e a capacidade de gestores políticos, educacionais e escolares de municípios brasileiros para que tomem melhores decisões e garantam as condições que assegurem suas redes e escolas a avançar com consistência, celeridade e equidade.

“A proposta parte do reconhecimento do papel estruturante dessas cidades para impulsionar transformações sistêmicas na Educação Básica. São os municípios que estão olhando para aspectos fundamentais como alfabetização na idade certa e expansão do acesso à Educação Infantil”, destacou Anna Penido, diretora-executiva do Centro Lemann.

O Programa Lideranças pela Educação e seus realizadores não recebem ou oferecem qualquer contrapartida financeira de ou para os municípios. A iniciativa parte do estabelecimento de um acordo técnico de cooperação com os  municípios para oferecer encontros presenciais e remotos, mentorias, troca entre pares e materiais de referência, organizados em três jornadas formativas:

  1. para lideranças políticas – orienta prefeitos e secretários na priorização da agenda educacional e tomada de decisões balizadas por evidências com potencial efetivo de impactar a aprendizagem, especialmente de estudantes em situação de maior vulnerabilidade.
  2. para lideranças das secretarias de educação – promove o desenvolvimento pessoal e profissional da equipe gestora da secretaria para melhor organização da estrutura da pasta e expansão da capacidade de atuação articulada, garantindo condições para que as escolas ofereçam aprendizagem de qualidade a cada estudante.
  3. para lideranças escolares – orienta um grupo técnico multidisciplinar da secretaria de educação na elaboração e implantação de um conjunto de políticas para fortalecer a atuação dos diretores escolares, incluindo um Marco de Gestão Escolar, processos de seleção e certificação com base em critérios técnicos, formação continuada e acompanhamento permanente às escolas.

O movimento Embaixadores da Educação e o Programa Lideranças pela Educação seguirão se expandindo. A proposta é que outras cidades — especialmente capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes — integrem a mobilização e assumam compromissos públicos com a educação de qualidade, conectando inovação, responsabilidade política e evidências.

Desafios da tecnologia na educação brasileira é tema da “Pesquisa com lideranças escolares 2024”, do Global School Leaders

Foram colhidas as percepções de mais de 200 gestoras(es) escolares brasileiras(os) para compor o relatório internacional da pesquisa realizada em parceria com Centro Lemann e MegaEdu.

Quando o assunto é tecnologia na educação, a desigualdade permeia a realidade da escola pública. De um lado, sabemos que o uso de ferramentas tecnológicas, aplicadas de maneira criativa e ajustada a cada contexto, pode alcançar bons avanços de aprendizagem, mesmo em cenários com poucos recursos. Por outro lado, são evidentes as diferenças de acesso às ferramentas tecnológicas, especialmente em escolas do Sul Global.

Esse é o tema da Pesquisa com lideranças escolares 2024 – perspectivas sobre tecnologia na educação, lançada pela Global School Leaders (GSL), em parceria com Centro Lemann e MegaEdu, responsáveis pela captação de dados do Brasil. O estudo apresenta uma amostragem não generalista, que permite um olhar crítico sobre a percepção de tendências úteis para análise e tomada de decisões de lideranças políticas e educacionais.

Para entender melhor esse cenário, 5.867 lideranças escolares de 18 países da África, Ásia e América Latina responderam ao questionário, compartilhando suas experiências no cotidiano escolar.

No Brasil, a pesquisa recebeu respostas de 213 lideranças, com dados importantes para nossa reflexão, por exemplo: 93% das(os) respondentes acreditam que a tecnologia facilita a explicação de conceitos; 87% acham que ela torna a aprendizagem mais acessível a todas(os); e 74% dizem que as turmas se mostram mais interessadas nos conteúdos quando a tecnologia é adotada em sala de aula.

No entanto, evidências de outro estudo indicam que 38% das escolas brasileiras não possuem computador para uso das(os) alunas(os) em atividades educacionais (CGI.br/NIC.br. TIC Educação 2023).

O acesso a esses recursos e ao letramento digital é outro desafio: apenas 14% das(os) respondentes brasileiras(os) consideram muito fácil o uso das tecnologias; somente 35% receberam alguma formação na área ao longo do último ano, com ênfase na sala de aula e não na gestão escolar.

Recomendações para ampliar o uso das tecnologias na educação

Com base nas respostas das lideranças educacionais, a “Pesquisa com lideranças escolares 2024” enumerou algumas recomendações com o objetivo de democratizar o uso das ferramentas tecnológicas nas escolas públicas para avançar na aprendizagem de todas(os) as(os) estudantes:

  • Construir parcerias para melhorar a infraestrutura da tecnologia nas escolas.
  • Desenhar soluções tecnológicas que atendam às necessidades específicas de lideranças escolares, incluindo apoio à gestão escolar.
  • Desmistificar a tecnologia em programas de formação, mostrando seu potencial para a melhoria do ensino.
  • Orientar as lideranças escolares sobre como navegar entre as opções de ferramentas de tecnologia para a educação, garantindo que suas escolas tenham os recursos certos para o ensino e a gestão administrativa.

Estas e outras informações estão contidas nos resultados da pesquisa Brasil, que você acessa aqui. Também conheça a pesquisa completa, com respondentes de todo o Sul Global, clicando aqui.

Programa Lideranças pela Educação – RS dá início à jornada de formação de prefeitas(os) e secretárias(os) gaúchas(os)

“Lideranças que transformam e se transformam com a educação” foi o mote do lançamento do programa Lideranças pela Educação – Rio Grande do Sul, nos dias 13 e 14 de maio. 

O encontro deu início a uma jornada formativa de lideranças políticas e educacionais pelo avanço da educação em 10 municípios gaúchos que sofreram forte impacto com as enchentes de abril de 2024.

Na cidade de Guaíba, reunimos 36 pessoas, entre prefeitas(os) e secretárias(os) de educação, e representantes de institutos e fundações interessadas(os) em conhecer melhor a realidade da educação gaúcha e os propósitos do programa.

No primeiro dia do encontro, as(os) lideranças realizaram uma caminhada pedagógica pela Escola Municipal Santa Rita de Cássia, com roda de conversa envolvendo estudantes e docentes. Mais tarde, refletiram sobre os legados que podem construir na educação durante suas gestões.

No segundo dia, o encontro contou painel mediado por nossa diretora-executiva Anna Penido, que trouxe reflexões sobre três temas centrais para a educação pública: aprendizagem com equidade e recomposição das aprendizagens, com Maria Tereza Paschoal, ex-secretária municipal de educação de Londrina (PR); resiliência emocional, com Carolina Campos, diretora-executiva do Vozes da Educação; e resiliência climática e ambiental, com Isabela Julio, representante da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul. 

As(os) participantes também analisaram os dados educacionais de seus municípios e pensaram em soluções para enfrentar diferentes desafios, além de assumir, pessoal e publicamente, o papel de embaixadoras(es) da educação, priorizando o tema em seus mandatos.

O encontro presencial faz parte de uma gama de ações que apoiarão lideranças políticas e educacionais a fim de que possam empreender as transformações necessárias, garantindo educação de qualidade com equidade a cada estudante de seus municípios.  Integram esta iniciativa as cidades: Cachoeirinha, Canoas, Caxias do Sul, Eldorado do Sul, Encantado, Gravataí, Guaíba, Passo Fundo, São Jerônimo e Sapucaí do Sul.

O programa Lideranças pela Educação – Rio Grande do Sul é uma realização do Centro Lemann, em parceria com B3 Social, Instituto Ultra e apoio de Sicred, ONG União/BR e ATITUS Educação. Além disso, a iniciativa conta com parceria da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul.

Série Lições de Sobral apoia lideranças políticas e educacionais nas transformações de suas redes de educação

“Lições de Sobral: descubra como as políticas públicas revolucionaram a educação local” é a série de quatro vídeos realizada pelo Centro Lemann e parceiros do Programa South-South, integrando a estratégia de transformação dos sistemas de educação do Brasil e de países e regiões do Sul Global.

A série sistematiza as políticas públicas que embasaram os altos resultados da rede de educação do município cearense para garantir a alfabetização de todas as crianças na idade certa.

O primeiro episódio, “Liderança escolar para o fortalecimento da gestão pedagógica”,  conta como o município seleciona, apoia e desenvolve gestoras(es) escolares para que sejam lideranças ativas na garantia do aprendizado de todas(os) estudantes.

“Acesso e permanência” é o tema do segundo capítulo, que explora estratégias de monitoramento da frequência, engajamento das famílias e das(os) estudantes, atividades extracurriculares e proteção social.

No terceiro vídeo, “Avaliação, gestão de metas e resultados”, lideranças locais explicam como os resultados das avaliações direcionam o trabalho da gestão escolar, das(os) docentes e a participação das famílias e das(os) estudantes para a melhoria da aprendizagem.

O episódio 4, “Materiais didáticos e formação docente”, traz depoimentos de lideranças, professora e gestora sobralenses. A narrativa explica o processo que define os materiais didáticos e complementares usados pelas(os) docentes e pelas(os) estudantes e como a formação continuada acontece, dando subsídios para que professoras(es) possam exercer sua missão com segurança, orientação e liberdade. 

Confira a série completa, clicando aqui.

Centro Lemann lança relatório Brasil em documento da Unesco sobre a educação latinoamericana

Lideranças educacionais protagonistas de práticas em que se compartilham responsabilidades e atribuições, promovendo um ambiente colaborativo que engaja toda comunidade escolar, são conhecidas como lideranças distribuídas.

Esse e outros conceitos compõem o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2025: Liderança Distribuída na América Latina, lançado pela Unesco e pela Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), em Bogotá (Colômbia).

O Centro Lemann desenvolveu a pesquisa no Brasil, em parceria com Filomena Siqueira (coordenadora), Gabriel Santana Machado e Karoline Oliveira. As(os) pesquisadoras(es) analisaram casos de diretoras(es) da rede municipal de Joinville(SC) e das redes estaduais do Piauí e Mato Grosso do Sul.

A publicação se aprofunda na discussão teórica e produz dados empíricos para compreender como a liderança distribuída se manifesta no Brasil e em que medida se relaciona com conceitos relevantes, como a gestão democrática.

O documento é resultado de um questionário respondido por 233 lideranças escolares, dos três estudos de caso, do levantamento da literatura e dos marcos legais vigentes no Brasil. Ele integra a edição regional que tem como objetivo reforçar a importância do empoderamento e da democracia exercidos pelas lideranças escolares da região, partindo de diferentes fontes de dados dos ministérios da educação de seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica e Honduras).

Acesse aqui os relatórios:

Brasil https://drive.google.com/file/d/1TscNJ6Poxvgxy1ZjApC04HsZg-d0sPe_/view?usp=sharing 

América Latina

https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000393491

Diretoras(es) ganham reforço para seu trabalho de gestão escolar

Está disponível a todas(os) as(os) gestoras(es) de escolas a plataforma Gestão Educacional na Prática”, um site interativo e colaborativo, construído pelo Centro Lemann com o apoio de lideranças escolares – a maioria egressa da nossa Formação de Lideranças Educacionais.

As 20 práticas que compõem o site foram desenhadas e implementadas em diferentes escolas brasileiras com base nos aprendizados dessa jornada, para traçar soluções aos desafios da aprendizagem.

A plataforma tem como objetivo criar conexões que possibilitem trocas de experiências para enfrentar as “dores” do dia a dia no chão da escola. Também está aberta a novas práticas para ampliar o escopo de iniciativas bem-sucedidas de diretoras(es).

As(os) gestoras(es) terão acesso a uma linguagem objetiva, tabelas e infográficos explicativos, divididos em três temas: acesso; aprendizagem e desenvolvimento integral; e permanência e clima escolar. Outra forma de navegar é por meio dos desafios da gestão, como: alfabetização na idade certa, formação continuada de docentes, infrequência escolar, recomposição da aprendizagem, entre outros.

Conheça a plataforma, inspire-se, compartilhe com suas(seus) colegas e contribua com novas soluções para que cada estudante possa acessar educação de qualidade com equidade e ter sucesso em sua trajetória escolar.

Resultados de avaliação apontam como a Formação de Lideranças Educacionais do Centro Lemann transformou o cotidiano de redes e escolas

Com o objetivo de conhecer o impacto de nossa formação na atuação das lideranças educacionais, contratamos a consultoria Arandu para realizar uma avaliação com participantes egressos da Turma 2022-2023, envolvendo 42 municípios.

Foram utilizados métodos mistos, combinando abordagens quantitativas e qualitativas, que apontaram um resultado geral animador: a Formação foi considerada extremamente aderente às necessidades das(os) participantes, gestoras(es) de redes de ensino e escolas públicas. A avaliação também indicou desafios e aprendizados para melhorar nossos programas e nossas práticas.

Outro achado é que conhecimentos e práticas acessados pelas lideranças, durante essa jornada trouxeram mudanças significativas na maneira como compreendiam suas funções e organizavam seu dia a dia, integrando gestão pedagógica e gestão administrativa.

O estudo também indicou melhor compreensão sobre a importância de uma atuação mais inclusiva e participativa em busca da equidade e qualidade na aprendizagem. Uma parte das(os) respondentes afirmaram já conseguir perceber resultados positivos na qualidade do aprendizado, do acesso e da permanência das(os) estudantes, o maior propósito de nossa formação.

Clique aqui e confira a íntegra do sumário executivo da pesquisa, que definiu indicadores e base de dados inicial para uma futura comparação entre os municípios participantes e não participantes da Formação de Lideranças Educacionais do Centro Lemann.

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